Recuperação do setor de calçados ficará para 2015, dizem fabricantes

Apesar de as empresas nacionais de calçados torcerem por uma retomada das vendas no segundo semestre de 2014, a redução de expectativas para produção e vendas e o fraco movimento na Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios 2014 (Francal) indicam que uma recuperação só virá em 2015, segundo fabricantes ouvidos pelo DCI na semana.

A Kalce, fabricante paulista de calçados masculinos, esperava um aumento de 21% da receita neste ano, mas a queda de 50% das vendas entre janeiro e maio levou a marca a trabalhar com uma expectativa mais modesta e a reduzir seu quadro de funcionários em 25%. Em 2013 a empresa faturou R$ 5 milhões, alta de 16% ante 2012.

“O segundo semestre sempre é mais forte, porém, notamos uma incerteza muito grande em relação a este. É uma incógnita”, explica o diretor comercial da Kalce, Arnaldo Oliveira, que já espera manter o desempenho do ano passado.

A gaúcha Valeiko também deixou de lado sua previsão de crescer 20% neste ano em relação ao exercício anterior e teve que reduzir seu quadro de funcionários, de 25 para 12. A empresa faturou R$ 1,2 milhão em 2013. “Com essa reorganização no número de trabalhadores nós conseguimos reduzir os altos salários, diminuindo assim os custos fixos”, diz o proprietário da Valeiko, Tadeu Ferrat.

Já a cearense Apuana está mais otimista. A empresa mantém a expectativa de crescer 30% no ano em relação a 2013, mesmo diante da retração do mercado. A explicação para isso está no portfólio da empresa que é exclusivamente dedicado as sandálias de borracha.

“O varejo compra itens de primavera-verão, normalmente, no segundo semestre do ano”, diz o diretor comercial da Apuana, Ivanildo Modesto.

Durante a Francal 2014, o Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi) cortou a projeção de alta de 3,6% na produção para 1,1% em 2014.

Conforto

Enquanto o mercado nacional de calçados sofre com a retração no consumo, os fabricantes de acessórios voltados para o conforto dos pés, como no caso das palmilhas usadas para auxiliar o uso dos sapatos, aproveitam um mercado com forte potencial.

A Mr. Step espera alta de 5% no faturamento em 2014, sem revelar as cifras do ano anterior. “Os consumidores estão cada vez mais exigentes e a procura de conforto. Isso movimenta a expansão do nosso mercado”, explica o diretor da Mr. Step, Fernando Schulman.

Já a Palterm aposta em avanço entre 8% e 10% na receita este ano, em relação aos R$ 50 milhões obtidos em 2013. “Pretendemos alcançar esse resultado com a entrada em novos pontos de vendas”, conta o gerente comercial da Palterm, Julio Eltz. (Fonte: DCI – 18/07/2014)

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