A Retomada no Varejo de Moda e o que Esperar de 2021

A Retomada no Varejo de Moda e o que Esperar de 2021

Marcelo V. Prado

Marcelo V. Prado

Sócio-diretor do IEMI – Inteligência de Mercado, e membro do Comitê Têxtil da FIESP.

Por Marcelo Villin Prado para a Revista Costura Perfeita Edição Ano XXI – N117 – Setembro/Outubro 2020

Como é sabido, o setor de moda, no Brasil, foi um dos mais impactados pelo fechamento das lojas físicas, principalmente durante os meses de março e abril, por conta da pandemia do coronavirus, tendo tido um dos piores desempenhos do varejo de bens de consumo, com queda comparável apenas ao registrado na venda de veículos.

A partir de maio, porém, com a reabertura parcial das lojas em determinadas regiões do País, e com o crescimento das vendas à distância por parte de varejistas e produtores de vestuário (através do WhatsApp, Instagram, market places, sites, etc.), passamos a assistir a um crescimento continuado das vendas no varejo do setor, que acumulou até julho, um crescimento de 330% em apenas 3 meses (ou seja, 4,3x maiores que as vendas de abril, pior mês do ano). Ainda assim, esse crescimento foi insuficiente para trazer o setor de volta, aos níveis em que se encontrava antes da pandemia: para se ter uma ideia, no mês de julho o varejo de moda ainda se encontrava 31% abaixo do mesmo mês do ano passado, devendo quiçá, voltar aos níveis de 2019, apenas no mês de outubro ou novembro.

Com esses resultados, os modelos de projeção sugerem que o varejo de moda deverá apresentar, em 2020, uma queda acumulada da ordem de 18,5%, em um cenário mais otimista, podendo chegar a uma queda de 21%, no pior cenário.

Sem dúvida, são resultados nada confortáveis e que saltam ainda mais aos olhos quando comparados ao varejo em geral no Brasil (varejo ampliado), onde os indicadores de venda já se encontram levemente superiores, em julho, frente ao mesmo mês do ano passado, projetando uma redução de apenas 2% ao final de 2020, sobre o acumulado de 2019 (em termos nominais, sem descontar a inflação).

Para a frente, as perspectivas são bem melhores e mostram claramente que o pior da pandemia já terá passado. O final desse ano poderá trazer boas surpresas para o setor, diante da relevância das datas do varejo que ocorrem no quarto trimestre deste ano, dando giro às coleções primavera-verão e alto verão, como o dia das crianças, em outubro, a Black Friday em novembro e o Natal, em dezembro. Todas irrigadas pela prorrogação do auxílio emergencial, até o final do ano, e o pagamento do décimo terceiro salário.

Aqui cabe uma análise mais detalhada em relação ao consumo nesse final desse ano, quando a tendência será a de convivermos com a escassez de alguns produtos e modelos no varejo, enquanto nos primeiros dois meses de 2021, as tradicionais liquidações de verão serão muito mais tímidas e pontuais. Na verdade, espera-se uma provável “extensão” da demanda do varejo pela coleção de verão (ou reposição), para manter seus estoques minimamente abastecidos nos meses de janeiro a março, por conta da combinação de estoques baixos, escassez seletiva e uma demanda provavelmente ainda aquecida, em algumas regiões do país.

Certamente que nem todas essas datas, auxílios e remunerações serão suficientes para salvar os resultados desse ano, mas serão, sem dúvida, importantes na reativação de toda a cadeia produtiva e no reequilíbrio da oferta e demanda no varejo e na indústria de moda, com força suficiente para recriar as condições necessárias à retomada do crescimento do setor, já a partir de 2021, em níveis equivalentes ou até superiores aos registrados em 2019.

Ao menos, essa é a nossa expectativa, ou o que nos permite crer os resultados gerados em nossos modelos de projeções, quando considerada toda a dimensão dos incentivos injetados pelo governo federal em benefício de nada menos que 66,7 milhões de consumidores de baixa renda no País, gerando uma situação de liquidez até então impensável, ainda mais em um ambiente de juros e inflação extremamente baixos para os padrões brasileiros.

É possível considerar, também, que até dezembro, com ou sem vacina, as ameaças causadas pela pandemia já deverão estar bastante reduzidas no Brasil, tendo em perspectiva que praticamente 100% dos municípios do País já foram impactados pela doença e, até lá, quando a totalidade deles já estarão no final dos seus ciclos de contaminação.

As dúvidas, porém, ficarão mesmo por conta do sempre imprevisível cenário político, que não cansa de sobrecarregar de incertezas as decisões dos agentes econômicos, aí incluídos os nossos empresários, consumidores e investidores, e cuja temperatura tenderá subir com as eleições municipais, em novembro.

Enfim, o mais importante é que o setor de moda voltou a pulsar com força e é hora de remar vigorosamente para tentar surfar a onda da retomada e ganhar o impulso necessário para fazer de 2021 um grande ano.  

Que assim seja. Fiquem bem e sucesso!

. Indicadores setoriais

Em julho de 2020, a indústria do vestuário, registrou alta de 44,2% nos seus volumes de produção. No acumulado do ano, comparado com o mesmo período de 2019, o segmento apresenta redução de 36,4% em volume de peças produzidas, enquanto nos últimos doze meses a retração foi de 20,3%.

O índice de vendas no varejo de vestuário (em volumes de peças), apresentou alta na comparação mensal, aumento de 20,6% em julho; mensalmente o índice do varejo vem registrando crescimento constante desde maio. Ainda assim, no acumulado do ano (janeiro a julho), o varejo de moda apresentou queda frente ao mesmo período do ano passado, da ordem de 37,5%, segundo indicadores do Termômetro IEMI. Nesse mesmo mês (julho), houve deflação de preços do vestuário no varejo da ordem de 0,52%, segundo o IPCA (IBGE), no acumulado dos últimos doze meses há queda de aproximadamente 1,0% no preço do vestuário.

Com relação ao valor das importações, no período entre janeiro e julho de 2020, houve redução de 28,6%, frente a igual período de 2019, atingindo US$ 721 milhões.

As exportações brasileiras de vestuário por sua vez, apresentaram queda de 27,9%, em dólares, quando comparado ao mesmo período do ano passado, acumulando um total de US$ 58,2 milhões, nas vendas ao exterior.

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