Varejo melhora, indústria ficará estagnada

O diretor do IEMI Inteligência de Mercado, Marcelo Prado, estima que, em 2013, as vendas do varejo de vestuário crescerão 3,3%, em volume de peças, e um faturamento 5% maior que o registrado no ano passado. Na mesma comparação anual, Prado estima que o preço médio por peça será inferior, devendo variar 1,6% em 2013, bem abaixo dos 3% de alta no ano anterior.

“O ritmo de crescimento em vestuário estará mais centrado na menor renda”, afirma Prado. Em 2012, justifica o especialista, essa faixa da população foi estimulada a comprar itens como carro e geladeira, beneficiados pelos incentivos do Imposto sobre Produtos Industrializado (IPI). “Isso gerou uma onda de consumo dos produtos de linha dura. As pessoas adiaram outras compras. Agora, usarão um pouco mais de dinheiro para renovar o guarda-roupa”, projeta Prado. O comércio de calçados e de acessórios de moda também poderá se beneficiar dessa dinâmica, acrescenta.

Há um descolamento entre a expansão das vendas do varejo e a produção industrial. As projeções da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) para 2013 mostram o volume de produção estagnada, podendo avançar 2% na visão mais otimista. No ano passado, a produção da indústria têxtil caiu 4,6% e a de vestuário 10,5%. A Abit espera um faturamento de US$ 53 bilhões neste ano, resultado US$ 3,7 bilhões inferior ao de 2012. “Essa disparidade é reflexo do crescimento das importações no varejo”, diz Aguinaldo Diniz Filho, presidente da Abit.

Pelas projeções do IEMI, o crescimento do varejo de vestuário será mais alinhado com o do PIB, em 2013. Já a indústria, segundo sua análise, “terá um repique”, mas não tem perspectivas para crescer a médio (dois anos) e longo prazos, ainda que, em um primeiro momento, deva suprir as demandas do varejo.

“O ambiente de produção está deteriorado, no Brasil”, diz o diretor do IEMI, se referindo a questões como baixo investimento; entraves logísticos e tarifas administrativas. “A redução de juros favorece o consumo e o investimento, mas o ambiente competitivo não favorece a indústria”, afirma Prado. É um cenário que também afeta, segundo sua análise, outras cadeias produtivas longas e intensivas de mão de obra, casos das indústrias de móveis e gráfica.

Ele acredita que se o consumo do varejo aumentar, o ambiente ficará favorável às importações. “Mas isso também depende do câmbio e do timing”, ressalva. A importação de produtos para o próximo Natal, por exemplo, demanda efetivar pedidos em abril, para se ter a mercadoria no Brasil, em setembro.

Nos EUA, há uma integração maior do varejo com o fornecedor. “Eles estocam menos. O Brasil não tem escala para isso”.

 

Leia a matéria na íntegra

 

Fique por dentro do mercado de Moda e Decoração

>> Curta o IEMI no facebook

>> Siga o IEMI no twitter

>> Conheça nossos Produtos e Serviços


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Os comentários são sujeitos a moderação antes de serem publicados. Campos obrigatórios são marcados com *.