Um prenúncio para o vestuário em 2018

Os números gerais da economia, como inflação, juros básicos, câmbio, volume agregado de crédito, massa salarial e até o emprego, vêm se mantendo em consistente recuperação, desde agosto de 2016, quando ainda vivíamos os meses mais agudos da crise. Estes fatores, têm viabilizado a recuperação paulatina da demanda, em especial a de bens de consumo e semiduráveis, ajudando a reaquecer a produção nacional de moda.

Há que se ressaltar que esta retomada, como já se previa, demorou a ser sentida no dia a dia das empresas e para muitos modelos de negócio, ainda não trouxe resultados relevantes. Está claro que o retorno ao crescimento, não atingirá todas as camadas da população, no curto prazo, nem a todos os modelos de negócio, com a mesma intensidade.

As marcas mais organizadas em termos comerciais e com maior apelo em termos de produto e giro, deverão colher os melhores frutos e buscar a maior parcela da demanda adicional esperada para este ano. As marcas de menor expressão, que ofertam produtos mais básicos ou menos atrativos, ou que atuam de forma mais tímida na comercialização de seus produtos, às vezes dependendo quase que exclusivamente de suas lojas de atacado, para escoar a sua produção, tendem a ter de esperar mais pela normalização de seus negócios, devendo enfrentar ainda muitos picos e vales na demanda por seus produtos.

Para os próximos cinco anos, porém, independente do modelo de negócio das empresas, as projeções para a produção e o consumo de moda no Brasil, se mostram mais animadoras e até um pouco melhores do que se estimava há alguns meses atrás. Pelos modelos de projeção do IEMI, nos próximos cinco anos, a indústria de moda deverá acumular um crescimento de 16,1%, a um ritmo médio anual de 3,1% em volume de peças confeccionadas, podendo elevar a produção nacional a um recorde histórico, em 2021, com algo em torno de 6,7 bilhões de peças a serem confeccionadas naquele ano.

Pode-se dizer que este cenário ainda está bem aquém dos índices previstos para a China e para a Índia (de 6 e de 7% ao ano, respectivamente), ou mesmo do próprio potencial do Brasil. Mas ainda assim, um grande alento para quem sobreviveu há quase três anos de uma das maiores crises econômicas já vividas por este País.

Números melhores só poderão ser alcançados quando o governo brasileiro reequilibrar suas contas (equilíbrio fiscal), algo que sem uma reforma séria da Previdência, não parece ser possível de ser alcançado.
. Indicadores Setoriais

A produção da indústria do vestuário apresentou queda de 4,2% no mês de setembro de 2017, quando comparado ao mês anterior. No ano, segundo a pesquisa industrial mensal do IBGE, o índice registrou uma alta acumulada de 4,6%.

O índice de vendas no varejo (volume) de vestuário registrou recuo de 8,1% em setembro. No ano, acumulou alta de 7,8%.

Segundo o IBGE, os preços do vestuário no varejo avançaram 0,71% no mês de outubro, acumulando uma elevação de 1,92%, quando comparado a dezembro de 2016.

O valor das importações voltou a crescer em 2017, registrando uma expansão de 21,3%, entre janeiro e outubro, sobre o mesmo período do ano anterior, chegando a US$ 1,3 bilhão no ano. As exportações brasileiras de vestuário, por sua vez, alcançaram US$ 111,9 milhões no ano, representando uma alta de 13,1% em relação ao mesmo período de 2016, o que não deixa de ser um bom resultado para o setor, ainda que os valores ainda sejam pouco representativos em relação às dimensões da produção brasileira.

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Assinatura: Marcelo V. Prado é sócio-diretor do IEMI – Inteligência de Mercado, e membro do Comitê Têxtil da FIESP (faleconosco@iemi.com.br).

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