Tarifa zero beneficia compras de algodão egípcio

A isenção da taxa de importação para o algodão, determinada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) esta semana, vai beneficiar o Egito, país árabe do Norte da África. A medida reduziu de 10% para zero o imposto para uma cota de 80 mil toneladas do início de maio até o final de julho. O benefício vale para o algodão classificado em dois códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Dos dois tipos, o Brasil importou 1,12 mil toneladas em janeiro e fevereiro, das quais 319 toneladas, ou 28,4%, vieram do mercado egípcio. O volume total representou US$ 2,2 milhões e a receita correspondente aos egípcios foi de US$ 961 mil.

Especialistas afirmam que a isenção deve evitar uma alta nos preços do algodão no mercado interno e vai beneficiar exportadores como o Egito, além da indústria de confecção. “Vamos ganhar em qualidade”, diz o presidente da Indústria de Vestuário de Minas Gerais (Sindivest-MG), Michel Aburachid, sobre o fato de os egípcios serem exportadores do algodão cujo código teve a isenção do imposto. “O algodão egípcio é um dos melhores do mundo. As empresas usam algodão egípcio para elevar o conceito do produto”, diz Aburachid. Minas Gerais é um dos cinco estados que compra o algodão dentro das classificações beneficiadas.

O Egito produz o algodão de fibra longa, que gera artigos com qualidade têxtil. A fibra é densa, mas resulta em tecidos leves e com toque macio, explica o diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi), Marcelo Prado. Ele lembra que além do Egito, o Brasil importa algodão de fibra mais longa do Peru. O diretor afirma que está crescendo o uso deste algodão no Brasil, em função da preocupação da indústria em ter um diferencial em relação aos importados. Mas o que ainda predomina na produção nacional, diz ele, são peças básicas.

Ao anunciar a isenção, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), ao qual à Camex é vinculada, afirmou que o objetivo da medida é “evitar a interrupção no suprimento das fibras de algodão para as indústrias têxteis e de vestuário durante a entressafra da produção nacional, nos meses de maio, junho e julho deste ano”. Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostra que foram cultivados no Brasil, nesta safra, apenas 886,8 mil hectares, área 36,4% menor do que na colheita anterior. O benefício foi concedido a pedido da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit).

A Conab cita retração de preços nos mercados internos e externos, altos custos de produção e bons preços da soja e do milho como fatores que influenciaram na decisão dos cotonicultores de reduzir a área destinada à cultura. A produção deve cair de 1,8 milhão de tonelada para 1,2 milhão, volume 32,7% menor. A queda de produção não é maior porque o setor vem obtendo ganhos de produtividade com uso da tecnologia. Nesta safra a melhora é de 4,8%.

O Brasil é exportador de algodão, mas importa alguns tipos de fibras, como a egípcia, que não há no País. A Conab estima que as exportações de algodão, na atual safra, somarão 642 mil toneladas e as importações 216 mil toneladas.

“As importações servirão para suprir as necessidades imediatas de consumo no primeiro semestre, haja vista a previsão de retardamento da colheita no estado de Goiás e Bahia, vez que intempéries climáticas provocaram atraso no plantio”, informa a Conab no seu último levantamento de safra. “Vale enfatizar que a decisão da indústria em comprar o produto no mercado externo vai ser tomada de acordo com a urgência de suas reais necessidades, principalmente de produto de qualidade superior”, informou a Conab.

No ano passado inteiro, o Brasil importou 3,2 mil toneladas de algodão dos dois tipos que tiveram isenção do imposto de importação (NCMs 52010090 e 52010020). O volume correspondeu a compras de US$ 9,3 milhões. Deste total, 622 toneladas, que representaram US$ 1,8 milhão, vieram do Egito. O principal fornecedor destes algodões, no ano passado, foi Israel, com US$ 2,6 milhões, seguido de Estados Unidos, com US$ 1,9 milhão, do Egito, e depois da Argentina, com US$ 1,5 milhão. Também venderam ao Brasil algodão com as NCMs beneficiadas a Alemanha, a Espanha e a Turquia.

 

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