Será que acabou o dinamismo da nossa economia?

A poucos anos atrás, a conceituada revista norte americana The Economist, publicou uma matéria de grande repercussão, enaltecendo o dinamismo da economia brasileira em meio à crise internacional. A capa apresentava uma imagem alusiva ao Cristo Redentor do Rio de Janeiro, decolando como se fosse um foguete rumo ao Céu.

Pois no ano passado, quando ficou claro que o crescimento do país iria ser pífio em 2012, a mesma revista fez duras críticas à gestão econômica do Brasil, chegando inclusive a pedir a saída do Ministro Guido Mantega, o que gerou toda a devida indignação do Governo Brasileiro e, em especial, da Presidência da República.

Esta semana, a revista volta a afirmar que a nossa economia se encontra em um atoleiro, a caminho da estagnação e da inflação (o que os economistas chamam de “estaginflação”) e ironicamente lança um novo lema: “fica Mantega”. Acredita o repórter que ao pedir a saída do Ministro no ano passado, acabou ajudando a mantê-lo no cargo e, agora, com o pedido de “fica Mantega”, pode ser que ele caia (sic).

Ironias à parte, sem dúvida a imprensa, em geral, tende a ser passional em suas matérias e manchetes, reagindo com certa dose de exagero a determinadas situações. Nossa economia cresceu muito a partir do final de 2009, turbinada pela disputa presidencial de 2010, o que foi traduzido pela imprensa do país e do exterior, quase como um “novo milagre” brasileiro. O PIBinho de 2012 e a lenta reação da economia, neste início de ano, supõe que novamente o crescimento será baixo, dado o fraco nível dos investimentos, em especial no segmento industrial e de infraestrutura.

Menos mal para o setor de moda que o consumo das famílias vem apresentando um maior crescimento, nestes primeiros meses, beneficiado pelo aumento dos salários, do emprego e da melhoria na distribuição de renda.

Ainda assim, não acredito que seja o suficiente para estimular uma grande expansão das indústrias de moda no país. Mesmo o aumento da taxa cambial nos últimos meses, que sempre gera um incentivo ao aumento das vendas dos produtos nacionais, frente aos importados, deverá ter efeito reduzido no fomento do setor. Afinal, o aumento do dólar pressiona todos os custos de produção dos artigos nacionais, eliminando parte da vantagem esperada, e o que é pior, juntamente com o aumento da inflação interna, subtrai  parte do poder de compra dos nossos consumidores, desaquecendo o mercado na ponta.

Enfim, voltamos ao nosso mundinho, aquele com o qual nos acostumamos na última década: mercado sobreofertado, muita concorrência de preço nos produtos básicos, muita inovação a preços competitivos nos produtos importados, o tradicional canal multimarca pressionado pela expansão das grandes redes de departamento e dos shoppings centers, representantes infiéis, trabalhando com diferentes pastas e comissões que chegam a 10% das vendas… ou seja, nada de muito novo.

Por isso, estou convencido de que para uma marca possa crescer de forma sustentável no mercado de moda do Brasil, no momento em que a economia de hoje não apresenta dinamismo suficiente para impulsionar a demanda a um ritmo em que haja espaço para todos, a tendência é de caminharmos para uma consolidação do segmento, na produção e no varejo, com um aumento expressivo da participação de mercado dos grandes players. Afinal, o grau de concorrência que deveremos alcançar nos próximos 5 e 10 anos será tal, que sem um elevado grau de organização e estrutura, será difícil conquistar espaço no ponto de venda e no bolso dos consumidores, cada vez mais endinheirados e exigentes.

 

Indicadores Econômicos do Vestuário

No setor do vestuário, as vendas do comércio varejista avançaram em março. Em volumes físicos a alta foi de 26% e, em valores de venda, de  25,6%. No acumulado do ano, de janeiro a março de 2013, houve alta de 9% nas receitas e de 4% nos volumes.

A produção nacional destes artigos, em número de peças confeccionadas, avançou 27,3% em março com relação ao mês de fevereiro. No primeiro trimestre de 2013, apresentou redução de 7,1% sobre o mesmo período de 2012.

As importações brasileiras de roupas, por sua vez, cresceram 15,5% em março e acumularam alta de 2,6% no ano. Já as exportações cresceram 8,9% no mês, ante um recuo de 5,1% no ano.

 

. Desempenho Vestuário

Variação no mês 1

Variação Anualizada 2

  Vendas no Varejo (R$)

25,9%

9,0%

  Vendas no Varejo (Peças)

26,0%

4,0%

  Produção Industrial (Peças)

27,3%

-7,1%

  Importações (US$)

15,5%

2,6%

  Exportações (US$)

8,9%

-5,1%

Fontes: IEMI / IBGE / SECEX

(1) março 2013 / fevereiro 2013

(2) janeiro-março 2013 / janeiro-março 2012

 

Marcelo V. Prado é sócio-diretor do IEMI – Instituto de Estudos e Marketing Industrial (coluna.wf@iemi.com.br)

Revista World Fashion + Varejo – edição 142 (leia na íntegra)

 

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