O comércio eletrônico, entre empresas, avança muito mais no Brasil do que as lojas virtuais focadas nos consumidores

Na última edição desta coluna, analisarmos os efeitos da crise no mercado de moda no Brasil, e destacamos a relação do crédito com a rapidez da retomada da confiança dos empresários.

Desta vez, com base em dados da pesquisa de comportamento do IEMI, mesmo com a forte recessão que se abateu sobre a economia brasileira, que resultou em uma queda acumulada de 11% nas vendas de roupas pelo varejo brasileiro (lojas físicas, no período de 2015 e 2016), observou-se um forte crescimento no número de consumidores que incorporaram a internet como mais uma opção de compra para artigos de moda; parcela essa que passou de pouco menos de 10% dos consumidores, em 2014, para 14%, em 2016, registrando um aumento superior a 40% no contingente total de consumidores, em apenas dois anos,

É fato, porém, que o valor adquirido por estes consumidores, através de lojas virtuais, ainda é uma parcela menor do seu consumo total de vestuário, e que a grande maioria destas pessoas não resiste a uma boa vitrine e ao prazer de poder tocar, experimentar, escolher combinações e até ajustar suas roupas novas, ao seu corpo.

Ainda assim, no Brasil, estima-se que o e-commerce tenha movimentado 1,4% do consumo total de roupas, ou o equivalente a R$ 2,5 bilhões, no ano de 2016, o que demonstra que, apesar do seu crescimento recente, é uma participação ainda pequena em relação à média dos países mais desenvolvidos, onde o e-commerce gira em torno de 3,5% das vendas do varejo local, nos levando a crer que este é um canal que ainda tem muito a crescer no Brasil.

Ao nos confrontarmos com as recentes notícias de que o site de comércio eletrônico Amazon, decidiu avançar ainda mais no segmento de vestuário, aprovando o investimento em um novo projeto de vendas de roupas “sob demanda”, a ser desenvolvido a partir de uma unidade de produção própria, totalmente automatizada, composta por máquinas conectadas e computadorizadas, que irão imprimir, cortar e montar as peças sem a necessidade de assistência humana; constatamos que o potencial futuro do e-commerce para o segmento de vestuário, ainda está longe de ser alcançado. Só não nos parece razoável supor, entretanto, que ele irá substituir as vendas através das lojas físicas, e sim criar novas opções de compra para os consumidores, agregando novos serviços e conveniências.

Outro ponto extremamente relevante, mas, aparentemente, ainda pouco tratado sobre o comércio eletrônico, refere-se às vendas “B2B”, ou seja, a venda entre empresas (por exemplo: fabricantes e atacadistas; atacadistas e lojistas; fabricantes e fabricantes, etc.). Se o Brasil está entre os dez principais mercados de comércio eletrônico do mundo na venda a consumidores (B2C), com cerca de US$ 12 bilhões anuais (fonte: Unctad, 2015), na venda entre empresas (B2B), ele se posiciona na sétima posição, com um valor nove vezes superior, com vendas da ordem de US$ 112 bilhões.

E nessa modalidade de negócio, o setor de moda também começa a se destacar, com o uso cada vez mais disseminado das vendas por comércio eletrônico, por parte de fabricantes e atacadistas de vestuário, junto a seus clientes lojistas, cada vez mais interessados neste tipo de serviço. Afinal, cada vez mais, os pedidos do varejo são menores e mais freqüentes, em um esforço para a redução de estoques e redução de riscos, através de uma melhor adequação das coleções ao desejo dos consumidores. Este movimento, porém, tem esbarrado na capacidade limitada de atendimento dos representantes comerciais, ou no elevado custo e na falta de tempo (leia-se, gente) dos varejistas, para realizar viagens freqüentes aos centros atacadistas.

Para se ter uma idéia, apenas no centro de São Paulo (Brás, Bom Retiro e arredores), onde há mais 15 mil “portas” vendendo roupas por atacado, estima-se em quase 2.500 lojas fazendo uso do B2B para a complementação ou reposição dos pedidos de seus clientes lojistas, com uma participação média próxima a 20% das vendas totais destes atacadistas.

Sem dúvida, nos próximos cinco anos, o comércio atacadista por meio eletrônico no segmento de moda, no Brasil, tende a continuar avançando de forma significativa, tanto quanto vem ocorrendo nas vendas diretas a consumidores (B2C); e já não é mais possível conceber gestores de marcas com pretensões de crescimento acima do mercado, resistentes a este tipo de recurso.

Sucesso!!!

. Indicadores Setoriais

A produção da indústria do vestuário apresentou uma expressiva alta, de 16,4%, no mês de fevereiro de 2017, quando comparado ao mês anterior. No ano, no acumulado de janeiro e fevereiro, segundo a pesquisa industrial mensal do IBGE, o índice registrou alta de 8,4%, sobre o mesmo período do anterior, confirmando a expectativa de um início da retomada na produção de roupas, no país.

O índice de vendas no varejo (volume) de vestuário, por sua vez, teve uma queda de 11,9% em fevereiro, frente a Janeiro, em parte devido a falta de datas para o comércio e os feriados de Carnaval. No ano, porém, acumulou uma alta de 1,2%, já positiva, mas ainda pequena, devendo acelerar a partir do mês de maio, com o dia das mães, com o clima mais frio e o dinheiro das contas inativas do FGTS, que deve ter parte do seu montante direcionado ao consumo pelas famílias, carentes de muitos itens, depois de um período tão longo de recessão.

Os preços do vestuário no varejo recuaram 0,12% no mês de março, sobre fevereiro, acumulando uma elevação de apenas 2,20%, quando comparados com março do ano anterior (2016).

O valor das importações, por sua vez, cresceu 1,5% entre janeiro e março sobre o mesmo período do ano anterior, chegando a US$ 440,4 milhões, no ano. As exportações brasileiras de vestuário também cresceram, alcançando US$ 30,8 milhões no ano, com alta de 16,5% em relação mesmo período do ano passado.

Tabela---Artigo

Assinatura: Marcelo V. Prado é sócio-diretor do IEMI – Inteligência de Mercado, e membro do Comitê Têxtil da FIESP (coluna.cp@iemi.com.br).

Fique por dentro do mercado de Moda e Decoração

>> Conecte-se ao IEMI no LinkedIn

>> Curta o IEMI no Facebook

>> Siga o IEMI no Twitter

>> Conheça nossos Produtos e Serviços


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Os comentários são sujeitos a moderação antes de serem publicados. Campos obrigatórios são marcados com *.