O Brasil continuará sendo têxtil

O Iemi acaba de lançar a 13ª edição do Relatório Setorial da Indústria Têxtil Brasileira, Brasil Têxtil 2013, justamente num momento em que assistimos, nas últimas semanas, a uma forte elevação do dólar frente à nossa moeda, marcando uma tendência clara, apesar de uma boa dose de especulação, de que no médio e curto prazo o futuro nos reserva um câmbio bem mais elevado e mais adequado à competitividade de nossas indústrias.

Dentro desse novo cenário, com uma taxa que deverá navegar em torno de R$ 2,40 a R$ 2,80 por dólar, ao menos nos próximos meses, segundo estimativas do próprio mercado financeiro, as grandes redes de varejo de moda do Brasil já começam a se movimentar no sentido de ampliar suas compras internas. Enfim, surge uma nova perspectiva para aqueles que temiam, com alguma dose de razão, pelo futuro da indústria têxtil brasileira.

Posicionado entre os cinco maiores produtores globais, e ainda o maior fora da Ásia, como revelam os indicadores apontados no mencionado relatório, independentemente do posicionamento do câmbio atual, o Brasil se vê à frente de grandes desafios para voltar a crescer na produção de têxteis e confeccionados, a um ritmo que se aproxime do da produção mundial que hoje, após a crise internacional de 2008, volta a apresentar taxas agregadas de expansão superiores a 6% ao ano, bem superiores ao crescimento do PIB mundial (na casa de 4,5%).

Tais desafios transcendem a eficiência e a organização fabril das empresas têxteis e confeccionistas, uma vez que eles se postam como obstáculos a uma enorme gama de outros setores de produção nacionais, em especial aos intensivos em mão de obra e que se estruturam em longas cadeias produtivas, com diversos elos fabris se sucedendo no processo de agregação de valor.

O atual ambiente produtivo do país, como todos já sabem, não oferece ainda as condições mais favoráveis ao investimento industrial e uma reforma tributária sustentada por um novo pacto federativo é fundamental para que a nação transpasse a antessala em que se encontram os países em desenvolvimento e avance para a tão desejada condição de país desenvolvido.

Para tanto, estou seguro de que o Brasil não poderá abrir mão do dinamismo, da resistência e da ousadia do setor têxtil e confeccionista, que, além de toda a criatividade e inovação, agrega à nossa economia a cada ano nada menos que R$ 114 bilhões em produção e 1,6 bilhão de postos de trabalho diretos e indiretos.

Sem dúvida, a recuperação do PIB brasileiro, hoje com um crescimento letárgico, amargando taxas que variam de 1% a 2% ao ano, passa pela retomada dos investimentos e pela expansão da indústria de transformação. Essa expansão industrial não poderá ser consistente a longo prazo sem a retomada do crescimento da produção têxtil e confeccionista, que tanto representa para o desenvolvimento econômico e social do país.

Se a população jovem do Brasil tem se movimentado na busca de seus interesses e anseios, está mais do que na hora de nós, empresários e empregadores, nos mexermos em favor do desenvolvimento industrial e econômico do país, pois é desse desenvolvimento que virão a renda e os empregos das novas gerações. E boa parte deles, estou seguro, será gerada pelas indústrias têxtil e confeccionista brasileira. Sucesso!

 

Indicadores

− A produção de vestuário recuou 8,2% em junho. No acumulado no ano, ocorreu uma queda de 2,3%, segundo a pesquisa industrial mensal do IBGE. O pessoal ocupado no setor recuou 0,3% no mês, acumulando alta de 2,9% no ano.

− As vendas no varejo de vestuário obtiveram uma queda de 6,5% em volumes e – 5,8% em valores no mês de junho, porém acumularam um resultado positivo no ano de 3,0% nos volumes vendidos e 8,2% nos valores da receita.

− Segundo o IBGE, os preços do vestuário no varejo recuaram 0,39% em julho; já em relação a julho de 2012, houve alta de 6,06%.

− As exportações brasileiras de vestuário alcançaram US$ 82,4 milhões entre janeiro e julho de 2013, com recuo de 2,3% sobre o mesmo período de 2012, enquanto as importações chegaram a US$ 1,4 bilhão, com alta de 7,1%, elevando o déficit da balança comercial para o setor em 7,7%.

 

Conjuntura do setor de vestuário no Brasil
1. Produção, emprego, preços (%) No mês No ano Últimos 12 meses
. Produção física (junho 2013) -8,2% -2,3% -4,9%
. Emprego (junho 2013) -0,3% 2,9% -1,8%
. Vendas no varejo em volumes (junho 2013) -6,5% 3,0% 4,3%
. Vendas no varejo em valores (junho 2013) -5,8% 8,2% 7,8%
. Preços ao consumidor (julho 2013) IBGE (1) -0,39% 1,77% 6,06%
2. Comércio exterior (US$ 1.000) Jan.-jul. 2012 Jan.-jul. 2013 Variação (2)
. Exportação 84.306 82.405 -2,3%
. Importação 1.286.898 1.377.785 7,1%
. Saldo (exportação – importação) -1.202.592 -1.295.380 7,7%

Fontes: IBGE/Secex. Elaboração Iemi.

Notas: (1) IPCA – Índice de preços ao consumidor amplo – Brasil.

(2) Variação de janeiro a julho de 2013 / janeiro a julho de 2012.

 

 

Marcelo V. Prado é sócio-diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi) e membro do Comitê Têxtil da Fiesp. Dúvidas, entre em contato pelo email: coluna.cp@iemi.com.br

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