Notícias: outubro foi o piso da desaceleração do varejo.

O mês de outubro parece ter sido o piso da desaceleração do varejo e a perspectiva é de recuperação, ainda que moderada, para os próximos meses, avaliam economistas consultados pelo Valor. Como consequência, o quarto trimestre deve registrar uma leve alta no consumo das famílias dentro do Produto Interno Bruto (PIB), após a retração de 0,1% no trimestre anterior, e um ritmo mais acelerado de crescimento nas vendas deve aparecer somente em meados de 2012, quando já estarão agindo sobre a atividade econômica os efeitos defasados do afrouxamento monetário.

 Após avanço de 0,5% em setembro, as vendas do varejo restrito registraram estabilidade frente ao mês anterior, feitos os ajustes sazonais. No varejo ampliado, que engloba os setores de veículos, motos, partes e peças e material de construção, as vendas encolheram 0,4% no período. Para analistas, a política econômica contracionista adotada a partir do fim de 2010 está deprimindo o consumo, ao lado da queda no rendimento real observada em outubro. Além dos fatores internos, o pano de fundo da crise internacional também pode estar afetando a confiança dos consumidores, dizem eles.

A economista Fernanda Consorte, do Santander, afirma que o recuo de 0,3% na renda real entre outubro de 2010 e igual mês de 2011 pode ter reduzido o consumo de bens não duráveis, como o setor de super e hipermercados, cujas vendas caíram 0,1% em outubro na comparação com setembro, feitos os ajustes sazonais. “Mas como no setor de bens duráveis a reação é rápida, esperamos alguma recuperação nos próximos meses com o aumento do mínimo, que corrige cerca de 30% dos salários da população ocupada brasileira”, diz.

Além do reajuste de 14% do mínimo, já contratado para janeiro de 2012, Fernanda aponta as medidas de afrouxamento monetário e fiscal como fatores que também devem impulsionar as vendas de bens não duráveis no curto prazo. Após a redução do IPI para a linha branca, ela não descarta medida no mesmo sentido para o setor de automóveis, cuja produção vai mal, assim como as vendas, o que pode aumentar as vendas também no segmento ampliado. “Se esse setor não começar a responder rápido, não descartamos uma redução no IPI já no início de2012”.

Para o economista Fabio Ramos, da Quest Investimentos, também há sinais de retomada moderada do comércio nos próximos meses, mas nada indica uma expansão forte no curto prazo. Segundo ele, as medidas tomadas recentemente pelo governo para estimular o consumo, como a flexibilização das concessões de crédito, podem ser suprimidas pelo ambiente internacional negativo. “Diminuir amarras para o crédito não quer dizer que ele vai aumentar. A segurança dos bancos não aumentou, e as famílias não têm mais o mesmo ímpeto para contrair empréstimos novos”.

Os dois analistas acreditam em um novembro melhor para o varejo, que pode ter crescimento de 0,5% em suas vendas na comparação com outubro, tendo como base um resultado melhor no setor de automóveis apontados pela Fenabrave e em dados da Serasa que mostram atividade mais forte do comércio no mês passado. Para dezembro, mês em que deve surtir mais efeito no comércio a redução do IPI para eletrodomésticos a expectativa também é de expansão nas vendas. Assim, Fernanda e Ramos descartam uma nova queda no consumo das famílias no último trimestre do ano.

(Arícia Martins | Valor – 13/12/2011).


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