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Redes de Varejo de Moda cada vez mais fortes

 

Já há algum tempo que assistimos a expansão das redes de varejo de Moda no Brasil. Este crescimento vem mudando a cara do varejo brasileiro, com impacto direto sobre as tradicionais formas de comercialização das indústrias de confecção nacionais.

Para se ter uma ideia deste avanço, há apenas cinco anos atrás (2007), as lojas de departamento, hipermercados e redes especializadas de pequena metragem (abaixo de 300m2 de área de venda), detinham juntas algo em torno de 48% de tudo o que era comercializado de vestuário, em volume de peças, no varejo brasileiro. No ano passado, em 2011, este índice se elevou para 58% do volume total comercializado.

Para um mercado que ampliou seus volumes em 25% neste período (2007 a 2011), esse ganho de participação relativa reflete uma expansão acumulada de 51% para o varejo organizado em rede, contra apenas 9,4% para os demais canais do varejo, representados principalmente pelas lojas multimarcas.

O crescimento das redes de varejo de moda, entretanto, não é compartilhado na mesma proporção por todos os modelos de varejo considerados neste grupo. Para os hipermercados e lojas de departamento não especializadas, que comercializam uma vasta gama de produtos, além de roupas e acessórios, como eletrônicos, linha branca, móveis e alimentos, por exemplo, a expansão foi bem mais modesta no mercado de moda, do que a observada nas lojas de departamento especializadas e nas redes monomarcas, estes dois últimos, os mais bem sucedidos.

O maior perdedor do período, mesmo assim, sem dúvida foi o varejo multimarca, justamente o principal canal de escoamento da maioria das pequenas e médias indústrias de confecção.

Este canal de venda é composto por mais de 120 mil pontos de venda no país, localizados principalmente em centros de comércio de rua, com áreas de venda que variam entre 50 e 150 m2, abastecidas de um número não inferior a 15 marcas diferentes, distribuídas de forma indistinta por araras, prateleiras e vitrines.

Estas lojas tiveram grande sucesso durante o período de inflação alta, oferecendo inovação, conveniência, facilidade de crédito e um atendimento personalizado, onde marcas pouco conhecidas, mas de boa qualidade, eram bem aceitas pelos consumidores, graças às garantias dadas pela própria loja. Seus preços, maquiados por uma inflação galopante, eram tão competitivos quanto os praticados pelo grande varejo.

Em pouco menos de 20 anos, veio o fim da inflação, a melhoria na distribuição da renda, o aumento dos salários e do poder de compra, a disseminação do crédito via cartão, a multiplicação dos shoppings, a capitalização das grandes redes, por meio da abertura de capital, enfim… o mercado mudou, os consumidores mudaram. Muitas empresas, fabricantes e lojistas, porém, não mudaram.

Se olharmos para os próximos 10 ou 15 anos, podemos antever que muitas outras mudanças estão por vir. Em minha opinião, o atual modelo de distribuição da imensa maioria das confecções brasileiras, baseado em um único canal de venda (lojas multimarcas) e numa equipe comercial terceirizada, formada exclusivamente por representantes comerciais autônomos, responsáveis únicos por prospectar, atender e monitorar os clientes da marca, está com os dias contados.

 

Assinatura:

Marcelo V. Prado é sócio-diretor do IEMI – Instituto de Estudos e Marketing Industrial, e membro do Comitê Têxtil da FIESP (coluna.cp@iemi.com.br).

 

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