Neste momento turbulento mantenha a ‘mão firme e a mente sóbria’

Estamos vivendo um momento bastante difícil no Brasil, onde temos a desconfortável sensação de que tudo está bagunçado, quase fora do controle. As notícias que chegam a nós todos os dias, do mundo, da nossa economia, da política, da operação “lava jato”, etc., têm nos deixado preocupados e ansiosos. Abrir o jornal pela manhã é por si só, um exercício de autocontrole, diante do temor de encontrar uma sucessão de manchetes desagradáveis. E nestes momentos, o maior desafio é manter a calma e seguir em frente, firmes e convictos do caminho a ser trilhado.

O guru da administração Jim Collins, juntamente com Morten T. Hansen, desenvolveu um belíssimo trabalho, anos atrás, sobre o tema da liderança em tempos turbulentos. Eles estudaram milhares de empresas para tentar entender porque, em situações difíceis como a que vivemos, atualmente, algumas fracassam e outras não. Neste estudo, aventaram inúmeras hipóteses e concluíram que as lideranças que foram mais bem sucedidas, não foram, necessariamente, as mais criativas, as mais carismáticas, nem as mais ambiciosas, ousadas ou abençoadas pela sorte. Na verdade, as que se saíram melhor foram as que conseguiram manter um surpreendente autocontrole, em um ambiente de mercado de total descontrole. Ao final, o que fez a diferença foi a capacidade de se manter com a mão firme e a mente sóbria, o que só é possível quando se tem um planejamento prévio, como foco bem definido de onde se quer chegar.

E aqui cabe citar o exemplo de Roald Amunsen, o famoso norueguês que liderou, em 1911, uma épica expedição para alcançar pela primeira vez na história, o Pólo Sul. O inglês Robert Scott, com sua equipe, se postou como concorrente neste desafio, tentando superar Amunsen numa verdadeira corrida para ver quem seria o primeiro a realizar tal feito. Para se sair vencedor, Amunsen se utilizou de um plano bem definido, mas que exigiu de sua equipe um esforço incansável: percorrer todos os dias uma distância de 25 a 30 km, independente se o clima estava bom ou ruim. E convenhamos que na Antártida, quando o clima está ruim, é ruim mesmo. Com isso, a equipe de Amunsen alcançou o seu objetivo 34 dias antes de Scott, sem perder a sua vida, ou a de qualquer membro de sua equipe.

Scott, por sua vez, conduziu a sua equipe de forma bastante irregular: em dias de clima bom, submetia os membros de sua equipe a uma jornada por demais exaustiva, buscando ganhar terreno. Em dias ruins, não se movia, tentando se resguardar do mau tempo. Na verdade, Scott não tinha um plano definido, movia-se diante das oportunidades que surgiam. Além de perder a corrida para Amunsen, Scott perdeu sua vida e a de muitas integrantes da sua expedição.

Este caso é interessante, pois, o desafio era exatamente o mesmo, mas duas filosofias distintas geraram resultados bem diferentes, e onde se nota que a existência de um plano bem definido foi fundamental para o sucesso.

Seria ótimo, se a mera aprovação de uma medida no Congresso, ou a simples troca de comando na política, resolvesse tudo como em um estalar de dedos. Mas sabemos que isso, simplesmente, não irá acontecer. A superação da crise atual se dará de forma lenta, dolorida e com base em um esforço incansável. Ainda assim, para garantir a inserção da sua empresa no grupo das que serão bem sucedidas, em meio à turbulência atual, você irá depender de um planejamento prévio, onde esteja bem definido aonde se pretende chegar e o caminho a ser percorrido.

A ansiedade e angústia que o momento atual traz às lideranças das nossas empresas, terá que ser dominada e substituída por métodos de autocontrole, que ajudem a manter-se firme e seguir adiante, com mente sóbria e sem perder o foco nos objetivos traçados, independente se o clima está bom ou ruim.

Sucesso!!!

 

. Indicadores Setoriais

 

A produção da indústria do vestuário teve retração de 7,7% no mês de novembro, quando comparado ao mês anterior. No acumulado do ano (jan/nov), segundo a pesquisa industrial mensal do IBGE, o índice registrou queda de dois dígitos, chegando a (-)10,1% no período e de (-)9,5% nos últimos 12 meses no volume físico produzido.

O índice de vendas no varejo (volume) de vestuários teve aumento de 6,4% no mês de novembro em relação ao mês anterior, porém, acumula recuo de 8,4% no ano, o setor pode se beneficiar com a proximidade das demandas de fim de ano. O valor das importações reduziu em 7,1% em 2015 e a taxa média do taxa câmbio encontrasse em alta (R$ 3,34 para 2015), a expectativa é que o valor dessas importações se reduza significadamente nos próximos meses, beneficiando assim a indústria brasileira. Essas importações somaram US$ 2,37 bilhões entre janeiro a dezembro de 2015.

As exportações brasileiras de vestuários alcançaram US$ 127,6 milhões no ano, com diminuição de (-)12,2% em relação ao ano de 2014, apesar da elevação recente do câmbio, dando claras demonstrações de recuperação neste indicador, demandará tempo e muito trabalho para gerar os frutos desejados.

Segundo o IBGE, os preços do vestuário no varejo cresceram 1,15% no mês de dezembro de 2015, acumulando uma alta de 4,47% no ano.

 

Conjuntura do Setor de Vestuário no Brasil
1. Produção, emprego, preços (%)
No mês
No ano
Últimos 12 meses
. Produção física volumes (novembro/15)
-7,7%
-10,1%
-9,5%
. Vendas no varejo em volumes (novembro/15)
6,4%
-8,4%
-7,6%
. Vendas no varejo em valores (novembro/15)
7,3%
-5,1%
-4,3%
. Preços ao consumidor (dez./15) IBGE (1)
1,15%
4,47%
4,47%
2. Comércio Exterior (US$ 1.000)
Jan – Dez 14
Jan – Dez 15
Variação (2)
. Exportação (dezembro /15)
145.257
127.556
-12,2%
. Importação (dezembro /15)
2.555.468
2.374.705
-7,1%
. Saldo (Exportação – Importação) (dez./15)
-2.410.211
-2.247.149
-6,8%

Fontes: IBGE / SECEX – Elaboração IEMI

Notas: (1) IPCA – Índice de preços ao consumidor amplo da cesta de produtos de vestuário – Brasil

           (2) Variação de janeiro a dezembro de 2015 contra janeiro a dezembro de 2014

 

Assinatura: Marcelo V. Prado é sócio-diretor do IEMI – Inteligência de Mercado, e membro do Comitê Têxtil da FIESP (coluna.cp@iemi.com.br). Para a Revista Costura Perfeita – Ano XVII – Nº90 – Março/Abril 2016

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