Na mídia: Setores de vestuário e calçados enfrentam problemas

A Argentina, que tem endurecido suas relações comerciais com outros países, não livra nem os parceiros do Mercosul, dificultando a entrada de produtos brasileiros em seu mercado. Por conta disso, os embarques de calçados, por exemplo, já caíram 47% em volume no primeiro trimestre, informa a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Segundo a entidade, até o dia 30 de abril há um saldo pendente de 2,2 milhões de pares aguardando a liberação das licenças para embarque à Argentina. Deste total, cerca de 630 mil pares são pendências desde junho do ano passado e 1,6 milhão de pares fazem parte do saldo deste ano, incluindo maio. O prazo médio para liberações, que já foi de no máximo 20 dias, hoje é de 138 dias.Já o saldo pendente em dólares é de US$ 47,8 milhões, sendo que US$ 39,2 milhões são deste ano e US$ 8,5 milhões de 2011. No primeiro trimestre de 2012, foram exportados para Argentina 975 mil pares, contra 1,8 milhão do mesmo período de 2011. O faturamento também seguiu trajetória de queda, ficando 36% a menos em relação ao ano passado. “Este desempenho demonstra que estamos perdendo gradativamente um dos principais mercados do calçado brasileiro”, avalia Heitor Klein, diretor-executivo da Abicalçados.

Vestuário

Por outro lado, no setor de vestuário, a participação de produtos importados no consumo interno deverá chegar a 12,5% até o final de 2012. A estimativa é do diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI) e membro do Comtextil/Fiesp, Marcelo Prado. Na comparação com 2011, as importações de vestuário em volume de peças devem crescer 42% este ano. “Isso quer dizer que uma em cada oito peças de roupa comercializadas no Brasil será importada em 2012″, previu o economista. Segundo ele, a produção de vestuário nacional movimentou R$ 88,5 bilhões em 2011, graças ao aumento de 7% em valores (preço no varejo). Já a produção de peças do setor registrou queda de 1,8% em volume. O prognóstico para 2012 é de um ganho de 1,5% em peças e de 6,9% em valores.

No Estado de São Paulo, maior produtor e maior consumidor de vestuário do País, o setor registrou uma queda de 33% no volume de produção ao longo do primeiro bimestre de 2012, em comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com o Sinditextil-SP, o índice é muito superior se comparado à queda registrada em todo o País, que foi de 19,55%.

Queda no têxtil

O IEMI informa que os números referentes à produção têxtil como um todo revelam um cenário ainda mais negativo. Em 2011, o setor têxtil movimentou R$ 107,8 bilhões, mas a produção em toneladas amargou uma queda de 14,9%. Em valores, foi registrada a alta de 1,3%, enquanto a projeção para 2012 é de crescimento de 6%. Marcelo Prado explicou que o aumento verificado em valores não reflete o bom desempenho da produção, já que as fábricas adequaram preços para escoar estoques elevados. Em relação à produção em toneladas, o economista espera um aumento de 3,3% para o setor, acrescentando que se trata da primeira estimativa do ano, que pode variar de acordo com os ajustes sazonais do mercado.

No ramo de calçados, o Índice Assintecal de Produção Calçadista (IAPC) do mês de janeiro apresentou aumento de 5,48% em relação ao mês de dezembro de 2011. Todavia, o aumento da produção calçadista em janeiro foi menor do que aquela que havia sido projetada no final do ano, quando as empresas do setor estimaram uma elevação de aproximadamente 28% para o mês de janeiro. Na realidade, observou-se aumento de 1,15% na produção no mês de janeiro em relação ao mesmo período no ano anterior.

Enquanto isso, a indústria brasileira como um todo segue em desaceleração. A produção industrial recuou 3% no primeiro trimestre na comparação com igual período de 2011. Com relação ao último trimestre de 2011, a queda foi de 0,5% na série com ajuste sazonal. Na tentativa que conter esta queda, o governo lançou recentemente a segunda etapa do Plano Brasil Maior, com um pacote de estímulo à indústria, cujo objetivo é garantir um crescimento da economia brasileira de pelo menos 4% este ano.

 

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