Mercado interno aquece indústria de calçados

A indústria calçadista foi mais uma a ser beneficiada com crescimento da classe C, que aqueceu o mercado interno em 2012. O setor produziu 864 milhões de pares, atingindo R$ 23,9 bilhões, alta de 9,6%, em relação a 2011, segundo o Relatório Setorial da Indústria de Calçados do Brasil, elaborado pelo Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI).

Abdala Jamil Abdala, diretor da Associação Brasileira de Calçados (Abicalçados) e presidente da Francal (Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios), afirma que o setor reúne mais de oito mil empresas fabricantes, que estão espalhadas em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Paraíba e Ceará.

“Arrisco dizer que o Nordeste é onde se concentra a maior parte da produção nacional, pois lá estão concentrados os fabricantes de sandálias e chinelos, que estão entre os produtos mais vendidos”, diz Abdala.

De acordo com ele, as vendas internas no segundo semestre tendem a ser maiores. “A expectativa é que as vendas no varejo cresçam entre 6% e 7% após julho. Com o varejo em alta, a indústria também aumenta a produção”, diz.

A chegada das coleções de primavera-verão também prometem impulsionar as vendas do setor. “Os preços dos produtos são mais acessíveis e, além disso, é no verão que os brasileiros mais compram sapatos, afinal, temos um país tropical”, completa.

O Brasil já é o terceiro maior produtor de sapatos do mundo, perdendo apenas para China, que produz cerca de 13 bilhões de pares por ano, e Índia, com aproximadamente 1,2 bilhão de pares.

“A diferença na quantidade produzida é sim muito grande, mas o produto brasileiro ganha dos asiáticos não só em qualidade, como também em design”, explica Abdala. Os sapatos produzidos aqui chegam a mais de 130 países.

Apesar da qualidade do produto nacional, as exportações brasileiras têm caído nos últimos anos. No ano passado, os envios para o exterior resultaram em US$ 1,1 bilhão, de acordo com dados da IEMI. “Há dez anos, a indústria calçadista exportava duas vezes mais do que hoje”, ressalta Abdala.

Segundo ele, o Custo Brasil e a valorização do dólar, nos últimos anos, são os principais vilões. “É claro que o crescimento da produção asiática também influencia, mas os mercados de primeiro mundo ainda preferem os nossos produtos”, diz o executivo, acrescentando que a expectativa é que as exportações cresçam nos próximos meses, impulsionadas pela recente alta do câmbio.

“Temos ótimas expectativas para a Francal. Já temos notícia de que importadores de diversos países virão para a feira”, comemora.

Sobre o crescimento das importações, que no ano passado somaram US$ 508,6 milhões, Abdala credita o resultado às vendas indiretas de produtos chineses, já que há antidumping para os sapatos vindos do país asiático.

“Para cada sapato chinês que entra no Brasil, há uma sobretaxa de US$ 13,85, o que inibiu a entrada desses produtos. Entretanto, países que não são originalmente produtores começaram a exportar sapatos chineses para o Brasil, na prática que chamamos de triangulação”, explica ele.

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