INFO: Investimentos em alta – o dia seguinte

Passados os efeitos da crise internacional, no segundo semestre de 2009, assistimos a uma forte retomada no consumo de moda no país, oferecendo ao varejo local, excelentes resultados em vendas no Natal daquele ano.

 Chegou 2010 e a campanha eleitoral pegou fogo por todo o país, turbinando a economia e o consumo, sem grandes preocupações dos nossos governantes com a conta a ser paga posteriormente.

 A indústria têxtil e confeccionista brasileira, apesar do câmbio pouco favorável, conseguiu surfar muito bem nessa onda, alcançando os níveis de produção mais altos de sua história, no Brasil. E como é natural nestes momentos, muitos empresários acreditaram que este crescimento poderia ser duradouro, motivando-se a investir pesado na ampliação e modernização de suas fábricas.

 Infelizmente, as bases deste crescimento não são de fácil sustentação, ainda mais se considerarmos as condições de competitividade oferecidas pelo ambiente de produção no país – câmbio valorizado, tributos, burocracia, infra-estrutura, etc. –, as atuais dificuldades enfrentadas pelos principais mercados consumidores do mundo (EUA e União Européia) e o arrefecimento dos incentivos governamentais, que demonstra predileção pelo setor têxtil apenas no discurso, pois em atos, os incentivos são sempre destinados a outros segmentos industriais (automóveis, eletro-eletrônicos, etc.).

 O fato é que, para quem investiu além do que devia, não tem como voltar atrás, quando tentativa neste sentido seria difícil e extremamente custosa, em especial nos segmentos mais intensivos em capital, como fiações, tecelagens e beneficiadoras. Quando nota-se que a aposta no crescimento das vendas e da produção foi feita sobre expectativas que não se confirmaram, deslumbra-se um panorama extremamente inquietante: como lidar com uma capacidade instalada ampliada, máquinas novinhas e prontas para operar, ao mesmo tempo em que as vendas estão em queda, estoques e importações em elevação.

 Seria extremamente injusto dizer que os que investiram foram inconseqüentes ou desavisados, afinal, a maioria enfrentou de fato enfrentou no ano passado, demandas de clientes superiores à sua capacidade de produção e concluíram ser aquela uma boa oportunidade para tocar à frente projetos de modernização e crescimento. Afinal, para um industrial, é muito frustrante rejeitar pedidos de clientes por falta de capacidade produtiva para atendê-los.

 Pior, porém, é a situação contrária, manter instalações novas, modernas e eficientes, paradas por falta de demanda. Pois foi o que assistimos neste segundo semestre, quando o mercado interno passou a consumir num ritmo inferior ao necessário para absorver a produção interna, mais a montanha de importações desembarcadas nos inúmeros portos incentivados deste país.

 O impacto deste desencontro entre oferta e demanda causou o maior rebaixo de produção já observado pelo IEMI, em mais de 20 anos de monitoramento nas indústrias de fios e tecidos do país. O mesmo ocorreu com as confecções, que também apresentaram redução nos volumes produzidos em 2011, sobre 2010, embora em menor proporção que os demais.

 O fato é que 2012 será um grande desafio para os industriais têxteis do país, em especial àqueles que investiram na ampliação de suas instalações produtivas e que agora necessitam conquistar uma fatia maior do mercado para justificar e recuperar o que foi desembolsado.

 Que venham as obras da copa do mundo, das olimpíadas e a vontade do governo de olhar com um pouco mais de consideração, por um setor que emprega nada mais, nada menos que 1,7 milhões de pessoas no país.

 

Feliz 2012, muita saúde e sucesso!!!

 

Assinatura:

Marcelo V. Pradoé sócio-diretor do IEMI – Instituto de Estudos e Marketing Industrial, e membro do Comitê Têxtil da FIESP (coluna.cp@iemi.com.br).


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