Indústria de Moda Íntima volta a mostrar a sua resiliência frente à crise

Por Marcelo Villin Prado* – Artigo para a revista Costura Perfeita Nº 98 – Julho/Agosto 2017

Enquanto esta coluna está sendo escrita, acontece em São Paulo o maior evento de moda íntima, praia e fitness da América Latina, o “Salão Moda Brasil 2017”, onde estão sendo apresentados os lançamentos de algumas das marcas brasileiras de maior prestígio e lançadoras de tendências para todo o segmento, dentro e fora do país.

Assim como muitos outros, o evento sofreu com os efeitos da crise econômica e a sua simples realização já pode ser considerado um sucesso por parte dos seus organizadores, já que a indústria de moda brasileira encolheu nada menos que 8% em volume de peças, nos últimos três anos, com a consequente redução de investimentos por parte das empresas, em ações de promoção como feiras e exposições.

A crise afetou todos os segmentos da indústria de moda e não é possível citar uma única linha de produto que tenha passado ilesa à queda generalizada da demanda interna no Brasil, tão afetada pela redução dos empregos e as incertezas econômicas que o país tem vivenciado.

Por outro lado, é preciso afirmar que nem todos os segmentos sofreram da mesma forma, ou na mesma intensidade. E dentre os que se mostraram mais resilientes, sem dúvida nenhuma, se encontram os produtores de moda íntima, cuja queda na produção foi menor por conta da crise e para quem a recuperação da demanda promete ser mais breve e intensa.

Pelas inferências do IEMI, realizadas a partir dos indicadores de desempenho da produção de moda no país, nos primeiros quatro meses deste ano, a expectativa é de que já em 2017, o segmento de moda íntima alcance um patamar de produção superior ao auferido antes da crise, no ano de 2014, o que será, caso se confirme, um grande feito frente à maioria dos segmentos desta indústria, que só deve recuperar seus patamares de produção “pré-crise”, a partir de 2019.

De acordo com o mais recente estudo elaborado pelo IEMI sobre a produção e o consumo de moda íntima, em 2016 foram produzidas 779 milhões de peças no Brasil, representando uma leve expansão de 0,13% sobre o ano anterior (2015), apesar de todas as dificuldades vividas pelo mercado neste período. Desta linha de produto foram destinadas ao mercado externo 7,6 milhões de peças, menos de 1% do total, ainda assim 7,6% superior aos volumes exportados em 2015.

Do lado das importações, por conta do câmbio e do enfraquecimento do consumo interno, observou-se um grande recuo nos volumes importados em 2016, totalizando 48,3 milhões de peças, com uma queda superior a 40% frente ao volume registrado no ano anterior.

Assim o consumo interno de moda íntima no Brasil, ficou na casa de 820 milhões de peças, volume 4,3% inferior ao consumido no país em 2015. Ou seja, a queda no consumo interno penalizou fortemente as importações e permitiu à indústria nacional manter os seus volumes de produção, o que nos leva a acreditar que com um câmbio em torno de R$ 3,48 por dólar, que foi o valor médio da cotação para 2016 (segundo o Banco Central do Brasil), a indústria brasileira de moda íntima já se mostra capacitada a competir internacionalmente.

Para 2017, os modelos de projeção do IEMI sugerem que a produção de moda íntima no Brasil possa se elevar cerca de 3%, superando a casa dos 800 milhões de peças confeccionadas, enquanto que as importações devem continuar a cair, só que um ritmo bem mais ameno, por volta de 14%, no acumulado deste ano.

Quem teve a oportunidade de visitar o evento em São Paulo, aqui citado, pode ver algumas das razões que fizeram com que a indústria brasileira de moda íntima tenha sofrido menos com a crise e esteja se recuperando mais rápido que os demais, em especial o grau de diferenciação e inovação de seus produtos, incluindo a linha de Plus-Size, onde o segmento se coloca como o que oferece o maior volume de itens para este mercado, dentre todos os segmentos da indústria de moda pesquisados pelo IEMI.

Sucesso!!!

 

. Indicadores Setoriais

A produção da indústria do vestuário apresentou queda de 14,5% no mês de abril de 2017, quando comparado ao mês anterior. No ano, entre janeiro e abril, segundo a pesquisa industrial mensal do IBGE, o índice registrou uma alta acumulada de 5,5%.

O índice de vendas no varejo (volume) de vestuário teve crescimento de 5,4% em abril. No ano, acumulou alta de 6,3%.

Segundo o IBGE, os preços do vestuário no varejo avançaram 0,98% no mês de maio, acumulando uma elevação de 2,36%, quando comparado a maio do ano anterior.

O valor das importações voltou a crescer em 2017, registrando uma expansão de 8,7%, entre janeiro e maio, sobre o mesmo período do ano anterior, chegando a US$ 676,1 milhões no ano. As exportações brasileiras de vestuário, por sua vez, alcançaram US$ 56,4 milhões no ano, o que representou uma alta de 16,0% em relação mesmo período de 2016, o que não deixa de ser um bom resultado para o setor, ainda que os valores ainda sejam pouco representativos em relação às dimensões da produção brasileira.

Conjuntura-do-Setor-de-Vestuário-no-Brasil

Assinatura: Marcelo V. Prado é sócio-diretor do IEMI – Inteligência de Mercado, e membro do Comitê Têxtil da FIESP (faleconosco@iemi.com.br).


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