Expectativas 2017: À espera da retomada do crescimento

Chegamos a meados de Outubro, ansiosos por notícias de dias melhores para os nossos negócios. Ao consultarmos os noticiários pela manhã, ou no decorrer do dia, vasculhamos todas as notas econômicas disponíveis, em busca de indícios de que as coisas começam, efetivamente, a dar sinais da tão esperada retomada, afinal, já completamos dois anos da mais grave crise econômica já vivida por este país, na era republicana.

Os efeitos danosos do esgotamento da política econômica do governo passado, só não foram maiores porque, antes de viciarem na receita do populismo crônico, pós-crise internacional de 2009, foi formada uma enorme reserva cambial pelo Banco Central do Brasil, à época dirigido pelo atual Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, com vistas a proteger a moeda brasileira de especuladores internacionais, preservando, desta forma, a eficácia das ferramentas de política monetária, fundamentais para o enfrentamento de crises como a que vivemos hoje.

Os indicadores econômicos dos últimos meses mostraram, de forma bastante consistente, de que havíamos chegado, finalmente, ao fundo do poço, com resultados oscilando de forma a descrever um cenário ainda muito fraco, mas relativamente estável. As mudanças na política econômica e as reformas já em votação foram importantes para retomar parte da confiança e do interesse de investidores, prova disso foi a evolução recente da Bolsa de Valores, que saiu de 45 mil pontos, no início do ano, para mais de 60 mil pontos, atualmente, mesmo com a saída de quase US$ 50 Bilhões de capitais estrangeiros do mercado, com o rebaixamento do Brasil pelas agências internacionais de risco.

Para sustentar e financiar a retomada da economia, do consumo e dos empregos, porém, um fator será chave: a expansão do crédito, tanto para as empresas, quanto para as famílias. E para isto o governo e o Banco Central terão que atuar, criando linhas específicas, com juros menores e acessíveis, a serem operadas pelos Bancos Privados, a exemplo do que ocorre com o crédito agrícola, ou como o que foi utilizado pelos Estados Unidos, logo após a crise de 2008/2009, para garantir o combustível necessário à sobrevivência das empresas e o posterior reaquecimento da demanda interna. Sem crédito acessível, muitas empresas combalidas pela crise não irão aguentar e a retomada poderá não acontecer tão cedo.

Se em 2016, o crédito no Brasil deverá encolher cerca de 2%, para 2017 as expectativas são de expansão da ordem 7% (média das fontes), mesmo sem considerar a criação de linhas específicas, como foi sugerido aqui. Alguns agentes do mercado financeiro com os quais andei me consultando, nas últimas semanas, acreditam que a expansão do crédito possa ser até maior, dependendo do grau de sucesso do governo com as reformas econômicas em andamento.

No Setor de Moda, desde Agosto a produção vem se acelerando para suprir o comércio para as compras de Natal, que este ano volta a ser predominantemente verde amarelo, depois de anos de expansão dos importados.

Para 2016, as expectativas do IEMI para a indústria do vestuário são de uma produção 1% maior que a de 2015, em volume de peças, interrompendo um processo de queda que vem desde 2010. Para o Varejo de Vestuário, as estimativas apontam para uma redução nas vendas no varejo de (-) 5%, também em volumes de peças comercializadas, acumulando uma perda superior a 10%, nos últimos dois anos, quando se agravou a crise econômica brasileira.

Para 2017, os indícios são de uma retomada levemente superior da produção, da ordem de 2,5%, em volumes, enquanto que para o varejo, estima-se um crescimento de 2,7%, para o mesmo indicador. No ritmo previsto para a retomada, espera-se alcançar os níveis de produção e consumo de 2010, o maior já alcançado pelo setor no país, historicamente, apenas em 2020. Ou seja, os “atalhos” da política populista do governo anterior, terão custado às empresas brasileiras de moda, nada menos que 10 anos de atraso.

Finalmente, se a recuperação dá sinais de que será lenta, cabe o consolo de que o sucesso das reformas econômicas poderá garantir um crescimento muito mais sustentável no futuro, devolvendo aos nossos empresários a segurança necessária para voltar a investir em seus negócios.

Sucesso a todos nós, em 2017!!!

 

. Indicadores Conjunturais

 

A produção da indústria do vestuário apresentou alta de 7,4% no mês de agosto de 2016, quando comparado ao mês anterior. No ano, segundo a pesquisa industrial mensal do IBGE, o índice registrou queda de (-)10,5% e no acumulado em 12 meses, queda de (-)11,9%.

O índice de vendas no varejo (volume) de vestuário teve queda de 3,2% em agosto. No ano, acumula retração de (-)11,4% e no acumulado dos últimos 12 meses a queda chegou a (-)11,5%.

Segundo o IBGE, os preços do vestuário no varejo avançaram 0,43% no mês de setembro de 2016, acumulando 5,24% comparado a setembro de 2015.

O valor das importações reduziu em (-)49,5% entre janeiro e setembro sobre o mesmo período do ano anterior. A taxa média do câmbio no período foi de R$ 3,56 (12,5% superior ao mesmo período de 2015), a expectativa é que o valor dessas importações reduza-se ainda mais ao longo do ano, beneficiando assim a indústria brasileira. Essas importações somaram US$ 979,2 milhões no ano.

As exportações brasileiras de vestuário alcançaram US$ 87,6 milhões no ano, com queda de (-)4,7% em relação mesmo período de 2015, apesar da elevação recente do câmbio, dando claras demonstrações de recuperação neste indicador, demandará tempo e muito trabalho para gerar os frutos desejados.

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Assinatura: Marcelo V. Prado é sócio-diretor do IEMI – Inteligência de Mercado, e membro do Comitê Têxtil da FIESP ([email protected]).

 

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