De Volta Ao Crescimento

Por Marcelo Villin Prado* – Artigo para a revista Costura Perfeita – Maio 2017

Como é possível verificar ao final desta coluna, no quadro dos indicadores conjunturais, finalmente o setor de moda no Brasil começa a reagir após um longo e tenebroso inverno… aliás, para o nosso segmento, podemos incluir nessa conta o outono, a primavera, o verão, a alta estação e etc., pois estamos falando de um período de quase três anos de queda recorrente na demanda interna por artigos do vestuário, fortemente afetada pela crise econômica e, principalmente, política que o país vem atravessando.

No primeiro trimestre deste ano, porém, mesmo sem nenhuma relevante data para o varejo de moda, as vendas de roupas apresentaram um desempenho além do esperado, superando os resultados registrados no mesmo período do ano passado em 4,7%, quando avaliado o volume de peças comercializadas, e em 7,6% quando consideradas as receitas nominais.

Este desempenho está bem acima dos valores observados para o PIB brasileiro no período, que apresentou crescimento de apenas 1% frente ao trimestre anterior e, na mesma base de comparação, encontra-se ainda 0,4% menor do que o registrado no primeiro trimestre de 2016.

A reação da demanda de vestuário no varejo brasileiro começou a ser sentida já em Janeiro de 2017, muito por conta da própria necessidade das famílias que, diante do orçamento apertado, optaram por adiar suas compras de final de ano (Natal, festas de final de ano, etc.) para o mês de Janeiro, aproveitando-se do período tradicional de liquidações, para economizarem no consumo destes produtos.

O que chama a atenção, porém, é que após este movimento, aparentemente pontual, o consumo se manteve em um nível mais elevado ao longo de todo o 1º. trimestre, mesmo com as taxas de desemprego permanecendo elevadas ao longo do período. E aqui, percebe-se, nitidamente, que a longa crise que vivemos, acabou por gerar uma demanda reprimida considerável na média das famílias brasileiras, que há muito tempo vem restringindo ou adiando suas compras.

Outro fator relevante na reação do mercado vem sendo a liberação dos recursos das contas inativas do FGTS, que têm sido direcionados em boa parte para o consumo (quase 50% do total), principalmente, de artigos como roupas e calçados, que lideram a lista de bens adquiridos com estes recursos. Novamente, a necessidade falando alto no gasto dos consumidores.

A redução dos juros para os consumidores, também vem ajudando a desafogar o orçamento das famílias, ao reduzir o peso das dividas e liberando uma parcela maior de recursos para a demanda de bens de consumo.

O importante é que estes fatores ainda estarão atuando no segundo trimestre deste ano, de maneira muito mais impactante, já que serão liberados muito mais recursos das contas do FGTS até o final de junho deste ano, além do que foi liberado em Março, e a redução dos juros será ainda mais expressiva neste segundo trimestre do que a registrada nos três primeiros meses do ano.

Pelos resultados acumulados, até aqui, e considerando o comportamento esperado para as principais datas do varejo, as primeiras estimativas do IEMI para o mercado de moda, em 2017, apontam para um crescimento da ordem de 3,4% nas vendas do varejo de vestuário e de 3,7% na produção interna deste produto, em volume de peças.

O fator preocupante, porém, continua sendo os desdobramentos da grave crise política que se desenrola em Brasília, que hoje coloca-se como a única grande amarra à retomada da produção, do consumo e do emprego no país. Pois, mesmo com o atraso e as dificuldades inerentes à aprovação das reformas trabalhista e previdenciária, o acerto das medidas adotadas pela equipe econômica até aqui, já trouxeram de volta as condições necessárias à recuperação da economia e do mercado de consumo no Brasil.

Independente disso, aos poucos a indústria e o varejo estão voltando a crescer e para o segundo trimestre deste ano, pelas razões já apontadas, podemos até ser surpreendidos, positivamente, pelos números a serem alcançados. Que assim seja!

Sucesso!

. Indicadores do Varejo de Moda

A venda do comércio varejista de vestuário avançou em março. Em volumes físicos a alta foi de 19,9% e, em valores de venda, (+)19,6%. No acumulado no ano, entre janeiro e março, houve alta de 7,6% nas receitas e de 4,7% nos volumes.

A produção nacional destes artigos, em número de peças confeccionadas, teve crescimento de 17,9%, em março, quando comparado ao mês anterior. No ano, houve alta de 8,0%.

Em relação ao comércio externo, as importações brasileiras de roupas tiveram crescimento de 56,3% em março e de apenas 1,5% no acumulado no ano, já as exportações, tiveram alta de 22,0% no mês e 16,5% no ano.

 

. Desempenho Vestuário Variação no mês 1 Variação Anualizada 2
  Vendas no Varejo (R$) 19,6% 7,6%
  Vendas no Varejo (Peças) 19,9% 4,7%
  Produção Industrial (Peças) 17,9% 8,0%
  Importações (US$) 56,3% 1,5%
  Exportações (US$) 22,0% 16,5%

Fontes: IEMI / IBGE / SECEX
(1) Março 2017 / Fevereiro 2017
(2) Janeiro-Março 2017 / Janeiro-Março 2016

(*) Marcelo V. Prado é sócio-diretor do IEMI – Inteligência de Mercado – faleconosco@iemi.com.brwww.iemi.com.br;

 


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Os comentários são sujeitos a moderação antes de serem publicados. Campos obrigatórios são marcados com *.