Comércio aposta em vendas maiores em 2014

Depois de registrar forte desaceleração neste ano, o comércio varejista deverá recuperar o fôlego em 2014. Projeção da Confederação Nacional do Comércio (CNC), realizada a pedido do GLOBO, mostra que as vendas deverão reagir e crescer 5,6% no ano que vem — quase dois pontos percentuais acima do avanço esperado para 2013. A inflação no varejo, por sua vez, deve encerrar 2014 com alta de 4,1%, um pouco menor que os 5% previstos para este ano.

— Com base no comportamento recente dos preços no atacado, podemos esperar desaceleração da inflação acumulada no varejo, pelo menos, no primeiro semestre — disse Fábio Bentes, economista da CNC.

Os números foram projetados com base na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE. O economista afirma que os preços deverão crescer em ritmo mais lento devido a dois fatores. Primeiro, uma desaceleração da inflação no atacado. Segundo, uma expectativa de desvalorização cambial menor em 2014.

— O impacto da inflação menor no varejo deverá ser de retomada gradual das vendas em até três meses, o que levaria a uma recuperação ainda no primeiro semestre de 2014.

Bentes diz que a recuperação do comércio vem ocorrendo de forma gradual desde julho e que as vendas do Natal — que devem registrar alta de 5%, na comparação com 2012 — confirmam a tendência de aquecimento, que deve se acentuar nos primeiros seis meses de 2014.

— O Natal fica no meio do caminho. Há uma leve recuperação do comércio desde o início do semestre e ele pega carona neste processo.

O casal de servidores públicos Josemar Lemes, 30 anos, e Rubya Nunes, 29, ajudará a movimentar o mercado. Josemar e Rubya esperam o primeiro filho e, depois de reformar a casa, pretendem gastar, no ano que vem, ao menos R$ 8 mil com móveis para o quarto do bebê e outros cômodos. A lista de desejos inclui desde o carrinho de bebê, o berço e a cômoda até um sofá e uma mesa para a sala. Mesmo com a expectativa pela chegada do primeiro filho, Rubya diz que pesquisará antes de ir às compras.

— É um gasto feito de forma muito consciente. Eu olho tudo, pesquiso e sempre tento comprar o mais barato — disse a servidora, que ainda paga as prestações do empréstimo tomado para reformar a casa.

A geógrafa Ekena Rangel Pinagé, 31 anos, também tem planos de consumo para 2014. Depois de dois anos de economia, sairá do aluguel para um apartamento financiado, com o marido e os dois filhos. Além de um armário planejado para o banheiro, pretende comprar uma televisão, uma escrivaninha, um sofá e uma estante. Os gastos, calcula, devem ficar entre R$ 8 mil e R$ 10 mil. Ela quer pagar tudo à vista:

— Sempre que posso, opto por negociar e pagar à vista. Geralmente consigo um desconto — disse a geógrafa, que acredita que a inflação continuará alta no ano que vem.

Um dos setores que podem ser beneficiados pelo novo cenário é o de vestuário, que deve fechar este ano com alta de 9,6% em valores e 3,5% em volume de peças, segundo o Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi). O diretor executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), José Luiz da Silva Cunha, disse que, provavelmente, eventos que prejudicaram as vendas este ano — inverno mais fraco e fechamento de lojas durante as manifestações de julho — não deverão se repetir em 2014. Além disso, afirmou, turistas que visitarem o país durante a Copa do Mundo também devem movimentar um pouco o mercado.

— Olhando para os números, 2013 não foi um ano ruim. Mas poderia ter sido melhor. Acredito que o ano de 2014 será melhor — disse o diretor.

Preços mais contidos em ano eleitoral

O presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Junior, também avaliou que as vendas poderão ser melhores no ano que vem. Ele diz que a Copa favorecerá o setor de eletroeletrônicos, sobretudo com televisores, e o de supermercados.

— Por ser ano eleitoral, o governo fará tudo para segurar os preços, o que ajudará nas vendas — disse Pellizzaro, que observou que a Copa ainda é uma incógnita para os comerciantes.

O coordenador das sondagens conjunturais do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), Aloisio Campelo, diz que as vendas devem crescer para supermercados e materiais de construção. Mas, no caso de bens mais caros, como carros, deve haver desaceleração:

— As famílias estão endividadas e devem ser mais comedidas. Não espero grande coisa para segmentos que necessitem de crédito — disse.

Bentes, da CNC, afirmou que 2013 ficará marcado por uma forte desaceleração do volume de vendas no varejo. Segundo o IBGE, de janeiro a outubro, as vendas reais apresentaram alta de 3,4% em relação ao mesmo período de 2012. A seu ver, nenhum fator foi mais decisivo para esse movimento do que a alta nos preços.

— Embora os reajustes tenham perdido força, a partir de maio de 2013 a inflação medida pelo deflator da PMC acumula alta de 5% no ano, a maior para o período desde 2005 — disse Bentes, que citou ainda a recomposição parcial de alíquotas do IPI, o encarecimento do crédito e a perda de força do mercado de trabalho como entraves à expansão das vendas. (Fonte: O Globo – 21/12/2013)

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