Balanço 2012 e de olho em 2013

O varejo de vestuário encerrou 2012 com projeção de alta de 4,7% em volume de peças e de 7,6% em valores. Para 2013, a expectativa é de um crescimento de 3,1% em volumes e de 5,3% em valores para o varejo (estimativas do estudo “Projeções de Mercado” elaborado pelo Iemi Inteligência de Mercado).

O Iemi também analisou os dados da produção de vestuário. O inverno pouco rigoroso, que reduziu as vendas de roupas e atrasou o escoamento da coleção primavera-verão, o receio com o alastramento da crise internacional e a entrada continuada de produtos importados fizeram com que a produção de vestuário fechasse o ano de 2012 com queda de 5,5% (em volume de peças). Ainda assim, em valores nominais, o setor produtivo terminou o ano com saldo positivo de 2,5% nas receitas geradas pela indústria, já que os preços na fábrica tiveram que ser reajustados para fazer frente ao aumento dos custos de produção.

A boa notícia é que 2013 reserva perspectivas mais promissoras para a indústria, como o aumento da produção de 2% em peças e de 5,5% em valores. A retomada começou no último Natal. Com o desencalhe de boa parte dos estoques e a redução do frenesi da demanda por bens duráveis (automóveis, linha branca e eletrônicos), fomentados pelo IPI reduzido, a tendência é o consumidor voltar a dedicar uma parcela maior de sua renda para a compra de artigos de vestuário, atendendo a uma demanda que já se mostrava reprimida em relação a essa linha de produto.

Nesse contexto, o varejo, especialmente as redes de grande superfície e que atuam com larga escala, tem forte influência. Por causa do volume que movimentam, os magazines devem consolidar ainda mais sua representatividade neste ano ao comercializarem cerca de 45% dos artigos de vestuário em todo o país, embora estejam inseridos em um setor altamente pulverizado, com a presença de concorrentes de todos os portes e formatos.

 

. Vestuário

2009

2010

2011

2012

2013

Produção (em % sobre peças)

0,9%

8,4%

-1,8%

-5,5%

2,0%

Produção (em % sobre R$)

13,4%

6,1%

14,8%

2,5%

5,5%

Varejo (em % sobre peças)

2,4%

10,3%

1,9%

4,7%

3,1%

Varejo (em % sobre R$)

2,5%

15,1%

8,7%

7,6%

5,3%

   Fonte: Iemi.

 

O varejo de vestuário tem conseguido se posicionar em uma curva de crescimento forte, em torno de 5% ao ano em volume de peças, independentemente das ameaças de contaminação da crise internacional ou da maior atratividade vivida no ano passado pelos bens duráveis. O único canal de venda que não tem acompanhado esse crescimento são as lojas multimarcas independentes, que vêm crescendo a um ritmo muito inferior, próximo a 1% ao ano e, consequentemente, perdendo importância relativa no mercado. Esse é um problema para muitas pequenas e médias confecções que costumam atuar estritamente focadas no suprimento desse canal.

Em 2013, o que se verifica é que o setor deverá se alinhar ao crescimento do PIB e à expansão do consumo das famílias, enquanto a indústria local deve retomar o crescimento após dois anos. Que assim seja. Um excelente 2013 a todos!

 

. Indicadores

 

– A produção de vestuário recuou 7,0% em setembro, acumulando perda de 11,2% no ano. O pessoal ocupado no setor cresceu 0,3% no mês, porém no ano acumula recuo de 5,7%.

– Apesar do recuo na produção, as vendas no varejo de vestuário acumulam alta no ano, de janeiro a setembro, de 2,9% nos volumes vendidos e de 6,2% nos valores da receita.

– Segundo o IBGE, os preços do vestuário no varejo aumentaram 1,09% em outubro, acumulando alta de 3,75% no ano, ou seja, comparado a dezembro de 2011.

– Já as exportações brasileiras de vestuário, entre janeiro e outubro, alcançaram US$ 125,4 milhões, com recuo de 15,2%, enquanto as importações chegaram a US$ 1,9 bilhão, com alta de 31,4%, elevando o déficit da balança comercial para o setor em 36,7%.

 

 

 

Conjuntura do Setor de Vestuário no Brasil

1. Produção, emprego, preços (%)

No mês

No ano

Últimos 12 meses

. Produção física (setembro 2012)

-7,0%

-11,2%

-11,1%

. Emprego (setembro 2012)

0,3%

-5,7%

-11,6%

. Vendas no varejo em volumes (setembro 2012)

-9,1%

2,9%

2,0%

. Vendas no varejo em valores (setembro 2012)

-8,4%

6,2%

6,9%

. Preços ao consumidor (outubro 2012) IBGE (1)

1,09%

3,75%

5,18%

2. Comércio exterior (US$ 1.000)

Jan.-out. 2011

Jan.-out. 2012

Variação (2)

. Exportação

147.789

125.369

-15,2%

. Importação

1.421.826

1.867.586

31,4%

. Saldo (exportação – importação)

-1.274.037

-1.742.217

36,7%

Fontes: IBGE/Secex. Elaboração Iemi.

Notas: (1) IPCA – Índice de preços ao consumidor amplo – Brasil.

(2) Variação janeiro-outubro 2012 / janeiro-outubro 2011.

 

 

Marcelo V. Prado é sócio-diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi) e membro do Comitê Têxtil da Fiesp.

 

>> Leia o artigo na revista Costura Perfeita

 

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